O vinho e as coisas boas da vida

Tag: Tipos de Uva Page 1 of 2

Bagas da Limniona, variedade tinta autóctone da Tessália, na Grécia

Limniona: a rara uva grega que renasceu das cinzas

Uma variedade autóctone da Tessália, quase esquecida no passado, começa a conquistar espaço entre os grandes tintos emergentes da Grécia.

Há vinhos que chegam até nós por acaso. Às vezes, uma conversa rápida, uma indicação de um amigo ou um encontro inesperado é suficiente para despertar a curiosidade por uma região, uma vinícola ou, neste caso, uma uva que provavelmente passaria despercebida.

Foi assim que conheci a Limniona.

Em um encontro rápido com o amigo Anderson Lira, em uma cafeteria de Bragança Paulista, surgiu a conversa sobre vinhos gregos e uma experiência que ele havia acabado de ter com uma variedade pouco conhecida por aqui.

O nome chamou a atenção: Limniona.

Uma uva quase esquecida

A Limniona, também encontrada como Lemniona, é uma variedade tinta autóctone da Tessália, região da Grécia Central, especialmente ligada às áreas de Karditsa e Tyrnavos. Durante muito tempo, sua presença nos vinhedos gregos foi bastante reduzida, a ponto de a variedade ter ficado próxima da extinção.

Seu renascimento é um dos capítulos mais interessantes da recente história do vinho grego.

Pesquisas, experimentações em pequenas vinificações e o trabalho de produtores interessados nas variedades nativas ajudaram a recuperar a Limniona e demonstrar que aquela uva rara tinha potencial para produzir vinhos de identidade própria e qualidade.

Entre os nomes associados a esse movimento está o produtor Christos Zafeirakis, da Tessália, que teve papel importante na recuperação e divulgação da variedade. Seu primeiro vinho varietal de Limniona foi lançado em 2007.

Hoje, embora ainda seja uma casta de produção relativamente pequena, a Limniona vem despertando cada vez mais interesse entre produtores e apreciadores de vinhos gregos.

Elegância em vez de força

Uma das características mais interessantes da Limniona está justamente no equilíbrio.

Os vinhos elaborados com a variedade costumam apresentar cor profunda, boa concentração de fruta, acidez vibrante e taninos firmes, mas de textura elegante. É uma combinação que permite produzir tintos estruturados sem necessariamente recorrer ao excesso de peso ou potência.

No nariz, aparecem principalmente frutas vermelhas e escuras, com cereja, amora e romã, acompanhadas por notas de especiarias, ervas, minerais e, dependendo da vinificação e do estágio em madeira, nuances terrosas, de chocolate e carvalho.

Na boca, a acidez é uma das grandes responsáveis pela personalidade da casta. Os taninos podem ser presentes e estruturados, mas tendem a apresentar uma textura mais sedosa do que agressiva.

É justamente essa combinação, fruta, frescor, estrutura e elegância, que faz da Limniona uma variedade tão interessante.

O Wines of Greece resume bem seu potencial ao descrevê-la como uma uva capaz de reunir concentração, extrato, acidez e intensidade aromática sem transformar o vinho em algo excessivamente pesado.

Uma expressão diferente da Grécia

Quando se fala em vinho grego, nomes como Assyrtiko, Xinomavro e Agiorgitiko costumam aparecer primeiro. A Limniona, porém, pertence a uma nova geração de variedades que ajudam a mostrar a enorme diversidade da viticultura do país.

Seu estilo também ajuda a diferenciá-la.

Enquanto alguns tintos gregos podem apresentar grande potência, taninos marcantes ou características bastante particulares de variedades como a Xinomavro, a Limniona costuma caminhar por uma direção mais fresca, aromática e elegante, mantendo estrutura suficiente para acompanhar a mesa e também evoluir em garrafa.

É uma uva que parece encontrar sua força justamente no equilíbrio.

Uma casta para descobrir

A Limniona ainda não é uma variedade fácil de encontrar fora da Grécia. Sua produção permanece relativamente pequena e, em algumas regiões onde começou a ser cultivada, ainda possui caráter experimental.

Mas talvez seja justamente essa dificuldade que torne a descoberta mais interessante.

Para quem gosta de explorar castas pouco conhecidas, a Limniona oferece uma oportunidade de sair dos caminhos mais conhecidos do vinho e conhecer uma Grécia diferente: aquela das variedades nativas, dos pequenos produtores e das uvas que carregam consigo uma parte da história de seus territórios.

E há algo particularmente fascinante nessa história.

Uma uva que esteve perto de desaparecer hoje começa a ser tratada como uma das estrelas emergentes dos tintos gregos. Seu potencial de envelhecimento também merece atenção: embora muitos exemplares possam ser apreciados jovens, fontes especializadas apontam que os melhores vinhos podem ganhar complexidade com alguns anos de garrafa.

À mesa

A estrutura, a acidez e os taninos da Limniona fazem dela uma boa companheira para pratos de maior intensidade.

Funciona especialmente bem com carnes vermelhas, cordeiro, embutidos, pratos com molho de tomate, massas mais estruturadas e queijos curados. A própria acidez ajuda a equilibrar preparações mais gordurosas, enquanto a fruta e as especiarias acompanham bem carnes assadas e grelhadas.

É também um vinho que pode surpreender quem procura tintos estruturados, mas não excessivamente pesados.

Duas garrafas, uma mesma descoberta

Entre os exemplares que ajudam a contar essa história estão o Ktima Zafeirakis Limniona 2020, produzido justamente por um dos nomes ligados ao renascimento da variedade, e o Vinifera Limniona 2021, da Vinifera Organic Winery.

O segundo é particularmente interessante por mostrar como a variedade vem sendo explorada também por produtores de outras áreas da Grécia. A Vinifera trabalha com viticultura orgânica certificada, e seus registros indicam a produção de um Limniona varietal 100% no portfólio.

São exemplos de uma mesma uva que ajudam a mostrar a diversidade de interpretações possíveis para a Limniona.

Uma descoberta que começou em uma conversa

Talvez seja esse um dos aspectos mais interessantes do vinho: ele está sempre nos levando a algum lugar.

A Limniona ainda está longe de ser uma variedade conhecida do grande público. E talvez seja justamente esse o melhor momento para descobri-la.

Agradecimento especial a Anderson Lira, que compartilhou comigo durante uma conversa rápida em uma cafeteria, sua experiência com a Limniona e despertou a curiosidade que deu origem a este artigo.

Às vezes, uma boa garrafa de vinho começa muito antes de ser aberta. Pode começar simplesmente com uma conversa.

Texto: Maicon F. Santos

As Uvas: Primitivo e Aglianico

Na época romana, a região sul da Itália, que hoje compreende as províncias da Campânia, Basilicata e Puglia, era a responsável por fornecer os vinhos de maior qualidade do Império. Mas a história da vinicultura da região começa um pouco antes. Remonta ao período em que a região era colônia grega.

A Uva Riesling

A Riesling é uma casta excepcional, extremamente aromática e de personalidade marcante. Originária da Alemanha, já era cultivada pelos romanos nos vales do Mosel e do Reno. Durante as últimas décadas sofreu injusta discriminação devido aos erros de marketing cometidos pelos alemães. Chegou a ser considerada por muitos como uma casta de segunda categoria. Mas continua sendo muito apreciada pelos grandes conhecedores, que a consideram, muitas vezes, como a melhor casta branca para vinhos. Hoje, a Riesling (pronuncia-se “Rissling”) vive seu renascimento mercadológico.

A Uva Cabernet Franc

Casta originária da França, mais precisamente da região de Bordeaux. Esta casta foi levada para o Loire no século XVII pelo famoso Cardeal Richelieu, que a plantou na abadia de St. Nicolas de Bourgueil. Pouca gente sabe, mas a Cabernet Franc é a cabernet original. A famosa Cabernet Sauvignon surgiu depois, através de um clone entre a Cabernet Franc e a Sauvignon Blanc.

A Uva Pinot Noir

Para muitos, a casta mais sublime e elegante que existe.

A Pinot Noir é uma casta tinta, originária da França. Não existe mistério quanto a sua origem, sua terra natal é a espetacular Borgonha há mais de 02 mil anos. Os primeiros registros de seu cultivo remetem aos Gauleses em torno de 150AC. Sua importância e reconhecimento são antigos. Em 1395, o então Duque da Borgonha, Felipe, proíbe o plantio e cultivo da casta Gamay na Côte D’Or por considerá-la de qualidade inferior, privilegiando a Pinot Noir.

A Uva Grenache – Garnacha

A Grenache (ou Grenache Noir) é a segunda casta vinífera mais cultivada no mundo. Ela não é famosa nem conhecida como a Merlot ou Cabernet Sauvignon e a maioria das pessoas nem imagina que já experimentou essa uva. Mas então, a grande pergunta que fica no ar é: Se pouca gente conhece essa uva, como pode ser tão cultivada? A resposta é fácil: Essa casta normalmente se apresentba em corte e não varietal. Alguns dos vinhos que nós conhecemos tão bem, levam um percentual de Grenache. Apenas para exemplificar: Rioja, Châteauneuf-du-Pape e “GSM”.

A Uva Chardonnay

Chateau MontelenaA Chardonnay é a casta vinífera branca de maior prestígio no mundo, cultivada em todas as regiões produtoras, degustada por todos. Muitas pessoas se referem a ela como a “rainha das uvas brancas”. Devido a sua popularidade, já foi chamada maldosamente de “a Coca-Cola do mundo dos vinhos”. Sua origem está associada à região francesa da Borgonha e, para alguns, ela é resultado do cruzamento entre as castas Pinot Noir e Gouais Blanc.

A Uva Cabernet Sauvignon

A Cabernet Sauvignon é a casta vinífera de maior prestígio no mundo, cultivada em todas as regiões produtoras e degustada por todos. Muitas pessoas se referem a ela como sendo a “rainha das uvas tintas”.
Sua origem está associada à região de Bordeaux (Médoc) e é resultado do cruzamento entre as castas: Cabernet Franc e Sauvignon Blanc. Seu nome já aparece em registros do final do século XVIII.

A Uva Tempranillo

A Tempranillo é uma casta de origem espanhola que vem chamando muita atenção nos últimos anos. Devido a sua incrível adaptabilidade aos climas continentais, ela passou a ser cultivada em regiões distantes como Austrália, Argentina, África do Sul e Estados Unidos. Os resultados são tão animadores que já se fala em a Tempranillo tornar-se uma opção mais acessível que a Cabernet Sauvignon e Merlot para os mercados internacionais.

A Uva Merlot

A Merlot é uma das castas viníferas mais cultivadas no mundo e detêm enorme prestígio. Mas nem sempre foi assim. Durante muito tempo era conhecida apenas como “a outra tinta de Bordeaux”; a Cabernet Sauvignon reinava absoluta. Essa percepção mudou a partir de 1980 quando começaram a surgir os vinhos do Novo Mundo.

Page 1 of 2

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén