{"id":167,"date":"2008-07-15T15:02:16","date_gmt":"2008-07-15T18:02:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.guiadovinho.com.br\/?p=167"},"modified":"2008-07-15T15:02:16","modified_gmt":"2008-07-15T18:02:16","slug":"vinhos-do-piemonte-tintos-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guiadovinho.com.br\/?p=167","title":{"rendered":"Vinhos do Piemonte &#8211; Tintos (Parte 1)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium\" src=\"\/fotos\/barolo_p.jpg\" alt=\"\" width=\"104\" height=\"70\" \/>Aos \u201cp\u00e9s dos montes\u201d, essa \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o do nome da regi\u00e3o. Assim como era de se esperar, a regi\u00e3o \u00e9 montanhosa, cortada por in\u00fameros rios que formam vales, onde a drenagem e a perfeita exposi\u00e7\u00e3o ao sol favorecem o cultivo de uvas. O inverno costuma ser rigoroso e o ver\u00e3o quente costuma apresentar tempestades de granizo que podem comprometer a safra.<!--more--><\/p>\n<p>A regi\u00e3o tem como capital a cidade, altamente industrializada, de Turim. Sede de v\u00e1rias empresas multinacionais. Acontece que, at\u00e9 a d\u00e9cada de 1970, o Piemonte era terra de ningu\u00e9m no que se refere ao turismo. Essa situa\u00e7\u00e3o mudou drasticamente gra\u00e7as \u00e0 gastronomia e \u00e0 vitivinicultura que colocaram a regi\u00e3o na rota dos gourmets de todo o mundo.<\/p>\n<p>A culin\u00e1ria piemontesa se destaca pela criatividade e a utiliza\u00e7\u00e3o de produtos sempre frescos e da \u00e9poca. Devido ao clima e ao relevo, a restri\u00e7\u00e3o de op\u00e7\u00f5es de produtos foi o grande incentivador dessa culin\u00e1ria de gabarito. Nesse leque restrito de produtos, destacam-se dois: a trufa branca e a carne vermelha.<\/p>\n<p>No que se refere aos vinhos, o Piemonte possui duas grandes uvas: a Nebbiolo e a Barbera. Ainda possui uma terceira uva, a Dolcetto, menos conhecida e celebrada. Os vinhedos est\u00e3o localizados nas encostas das montanhas e possuem orienta\u00e7\u00e3o sul. Os vinhos produzidos compatibilizam maravilhosamente com a culin\u00e1ria e desse casamento nasceu uma gastronomia rica e surpreendente.<\/p>\n<h3>Principais Regi\u00f5es<\/h3>\n<p>Devido ao relevo montanhoso, os vinhedos n\u00e3o est\u00e3o espalhados por toda a regi\u00e3o, encontram-se concentrados, principalmente, nas \u00e1reas D.O.C. As principais D.O.Cs. encontram-se ao sudeste e nordeste de Turim. Algumas cidades (vilarejos) s\u00e3o importantes refer\u00eancias: Alba, Asti, Bra, Acqui Terme, Gavi, Casale, Canale, Alessandria, Vercelli e Novara.<\/p>\n<p>O <b>Barolo<\/b> \u00e9 um vinho \u00fanico, compar\u00e1vel aos melhores do mundo. Possui grande estrutura arom\u00e1tica, longa persist\u00eancia, acidez destacada, t\u00e2nico, corpo alto e poder de envelhecimento.<\/p>\n<p>O <b>Barbaresco<\/b> \u00e9 o irm\u00e3o mais delicado e feminino do Barolo. Grande estrutura arom\u00e1tica, menos encorpado e com acidez destacada.<\/p>\n<p>O <b>Barbera<\/b> \u00e9 um vinho excepcional. Acompanha muito bem os pratos regionais e est\u00e1 passando por uma revolu\u00e7\u00e3o. Alguns produtores est\u00e3o utilizando madeira mais nova para a afina\u00e7\u00e3o e testando cortes com outras uvas (Pinot Noir e Cabernet Sauvignon).<\/p>\n<p>O <b>Dolcetto<\/b> \u00e9 um vinho para se beber jovem. Com aromas mais doces, estrutura mediana, pouco t\u00e2nico e acidez destacada; ainda deve melhorar com as inova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos brancos, devemos prestar aten\u00e7\u00e3o em especial aos Arneis de Roero, aos Moscatto d\u2019Asti e aos Chardonnay do Langhe.<\/p>\n<p>Ainda em rela\u00e7\u00e3o ao Barolo, existem sub-regi\u00f5es que determinam o car\u00e1ter do vinho, o estilo. Por exemplo, se quisermos um Barolo mais encorpado, mais denso, devemos procurar pela sub-regi\u00e3o de Serralunga d\u2019Alba e se quisermos algo mais delicado e gracioso, vamos escolher algum da sub-regi\u00e3o de La Morra. Al\u00e9m dessas duas sub-regi\u00f5es, ainda existem: Verduno, Barolo, Novello, Monforte d\u2019Alba e Castiglione Falletto.<\/p>\n<p><b>As principais denomina\u00e7\u00f5es piemontesas (DOC ou DOCGs) s\u00e3o:<\/b><\/p>\n<ul>\n<li>Barolo;<\/li>\n<li>Barbaresco;<\/li>\n<li>Barbera d\u2019Asti;<\/li>\n<li>Barbera d\u2019Alba;<\/li>\n<li>Dolcetto d\u2019Alba;<\/li>\n<li>Gattinara;<\/li>\n<li>Gavi;<\/li>\n<li>Roero;<\/li>\n<li>Langhe;<\/li>\n<li>Moscato d\u2019Asti.<\/li>\n<\/ul>\n<h3>Principais Uvas<\/h3>\n<p><b>Uvas aut\u00f3ctones:<\/b><\/p>\n<ul>\n<li>Arneis (Br);<\/li>\n<li>Cortese (Br);<\/li>\n<li>Moscato (Br);<\/li>\n<li>Barbera (Tn);<\/li>\n<li>Docetto (Tn);<\/li>\n<li>Grignolino (Tn);<\/li>\n<li>Nebbiolo (Tn).<\/li>\n<\/ul>\n<p><b>Uvas estrangeiras :<\/b><\/p>\n<ul>\n<li>Chardonnay (Br);<\/li>\n<li>Pinot Noir (Tn).<\/li>\n<\/ul>\n<h3>Principais Produtores<\/h3>\n<p><b>Tradicionais:<\/b><\/p>\n<ul>\n<li>Bruno Giacosa;<\/li>\n<li>Giuseppe Mascarello;<\/li>\n<li>Giovanni Conterno;<\/li>\n<li>Giacomo Conterno;<\/li>\n<li>Vietti;<\/li>\n<li>Aldo Conterno;<\/li>\n<li>Luigi Coppo.<\/li>\n<\/ul>\n<p><b>Inovadores:<\/b><\/p>\n<ul>\n<li>\u00c2ngelo Gaja;<\/li>\n<li>Elio Altare;<\/li>\n<li>Enrico Scavino;<\/li>\n<li>Domenico Clerico;<\/li>\n<li>Giorgio Rivetti;<\/li>\n<li>Giacomo Bologna;<\/li>\n<li>La Spinetta;<\/li>\n<li>Prunotto;<\/li>\n<li>Renato Ratti.<\/li>\n<\/ul>\n<h3>Barolo<\/h3>\n<p>O Barolo \u00e9 um vinho excepcional que costuma arrebatar fan\u00e1ticos apreciadores conhecidos por \u201cBarolistas\u201d. Sua uva, a Nebbiolo, costuma ter uma evolu\u00e7\u00e3o na ta\u00e7a que impressiona. Os aromas e sabores v\u00e3o se alterando constantemente, seduzindo o degustador, que viaja por: alcatr\u00e3o, alca\u00e7uz, castanhas, baunilha, canela, pimenta verde, violetas, rosas, ameixas secas, bolo de frutas, tabaco e chocolate amargo.<\/p>\n<p>H\u00e1 registros da exist\u00eancia da uva Nebbiolo no Piemonte desde 1235. Esta uva que regionalmente tamb\u00e9m \u00e9 conhecida por <i>Spanna, Inferno e Grumello<\/i>, resulta em outros vinhos tamb\u00e9m muitos bons, como: Barbaresco, Bramaterra, Boca, Carema, Fara, Ghemme e Nebbiolo d\u2019Alba. O Gattinara, outro grande vinho de longa guarda do Piemonte, \u00e9 produzido com a Nebbiolo (90%) e Bonarda (10%), por\u00e9m, o grande expoente \u00e9 mesmo o Barolo, que deve necessariamente envelhecer por 3 anos na cantina, sendo dois em madeira, ou 5 anos (tr\u00eas em madeira) para os <i>Riserva<\/i>.<\/p>\n<p>Barolo est\u00e1 dentro da regi\u00e3o chamada de Langhe, a 40 Km de Asti e 70 Km de Torino. Onze comunas comp\u00f5em as colinas de Barolo. S\u00e3o divididas em colinas da esquerda, com solo mais compacto produzindo vinhos mais austeros e de guarda: <i>Castigliane Falletto, Diano D\u2019Alba, Grinzane Cavour, Monforte D\u2019Alba e Serralunga D\u2019Alba<\/i>. Do outro lado, nas colinas da direita, com solo mais macio, melhor drenagem e vinhos para serem consumidos mais jovens: <i>Barolo, Cherasco, La Morra, Novello, Roddi e Verduno<\/i>.<\/p>\n<p>Devemos esta gl\u00f3ria de vinho a Sra. Giulia Colbert, a Marquesa Falletti di Barolo, que enciumada da prefer\u00eancia dos nobres italianos pelos vinhos franceses, mandou chamar um en\u00f3logo da Borgonha, Louis Oudart, que introduziu m\u00e9todos de enologia que corrigiram a matura\u00e7\u00e3o do vinho local, que anteriormente era adocicado, leve e inconstante e t transformou-o no famoso Barolo. Oudart fez tanto sucesso com seu trabalho no Barolo, que foi contratado tamb\u00e9m pelo Duque de Cavour em seu Castelo Grinzane e por Vittorio Emanuele que transformou sua casa de ca\u00e7a de Fontanafredda em Serralunga D\u2019Alba num grande vinhedo de Nebbiolo. Essas \u201caziendas\u201d produzem Barolos at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma hist\u00f3ria deliciosa sobre o Barolo: conta-se que em 1922, Edward, o ent\u00e3o pr\u00edncipe de Gales, herdeiro da coroa da Gr\u00e3 Bretanha, Irlanda e \u00cdndia, visitou a It\u00e1lia. Solteiro, era considerado \u201co melhor partido da Europa\u201d. Em Roma foi recebido com um banquete por Vitt\u00f3rio Emanuelle III. O soberano queria mesmo era apresentar-lhe a filha mais velha, Jolanda , tamb\u00e9m solteira. Sua inten\u00e7\u00e3o era ver se o pr\u00edncipe se interessava em casar-se com Jolanda. Por\u00e9m, apresentaram-lhe tamb\u00e9m na mesma noite o Barolo, que teve total prefer\u00eancia do Pr\u00edncipe de Gales. Ele beu tanto do vinho que saiu oferecendo dele aos presentes. At\u00e9 os guardas que estavam \u00e0 porta do sal\u00e3o tomaram do Barolo oferecido. Edward mal se dirigiu \u00e0 pobre princesa. Foi um esc\u00e2ndalo.<br \/>\n____<br \/>\n<i>Confraria dos Prazeres<br \/>\nJulho\/2008<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos \u201cp\u00e9s dos montes\u201d, essa \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o do nome da regi\u00e3o. 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